Pedro foi realmente o primeiro Papa?

Do Blog Pr. Artur

Depois da renúncia de Bento XVI de seu cargo, assuntos relacionados ao Catolicismo se tornaram temas em diversos lugares. O vídeo abaixo é um especial muito bem elaborado de um programa da Rede Novo Tempo, que discute a história do papado. O programa, apresentado pelo Pastor e Doutor (Arqueologia) Rodrigo Silva, a quem tivemos o prazer de conhecer e entrevistar para o blog Fatos em Foco, é um expert no assunto. Terminando um pós-doutorado em Arqueologia do Mediterrâneo, na USP, o dr. Rodrigo discute a versão conservadora do Catolicismo, que alega ter sido Pedro o primeiro Papa. Afinal, como surgiu o papado? Será verdade que Pedro foi o primeiro dos Papas? É verdade que o Papa será o Anticristo (ou a besta do Apocalipse)?

Antes porém de responder a essas perguntas é importante frisar que o intuito das postagens do KIP é construir novos conhecimentos, descobrir aquilo que está oculto, usando fatos históricos, simbólicos, linguísticos etc. Não é desqualificar alguém ou alguma religião, pois existem bons e maus exemplos dentro de todas elas. Em suma, nosso objetivo é trazer à luz a verdade, mesmo que isso seja desconfortável para algum lado. Também, o fato de o vídeo ser da Rede Novo Tempo, da Igreja Adventista, não necessariamente implica que nossas visões religiosas são as mesmas da instituição e do programa.

Papa diz em novo livro que Jesus não era ‘revolucionário’

Da BBC Brasil
por Assimina Vlahou

O livro de Bento 16 será lançado em 24 idiomas

No segundo volume de seu livro sobre a vida de Jesus, lançado oficialmente nesta quinta-feira, o papa Bento 16 afirma que o Cristo não era um “revolucionário”.

Em Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição, o sumo pontífice diz que Jesus “não vem (ao mundo) como um destruidor. Ele não vem empunhando a espada de um revolucionário”. Em vez disso, Jesus vem “com o dom da cura”, para revelar “o poder do amor”.

Bento 16 afirma que, na época em que Jesus viveu, não havia separação entre política e religião, e que teria sido o próprio Jesus que estabeleceu a distância entre as duas coisas.

“Naquela época as dimensões política e a religiosa eram absolutamente inseparáveis”, disse Bento 16. “Jesus, com sua mensagem e modo de agir, inaugurou um reino não político do Messias e começou a separar uma coisa da outra.”

Extremismo
O livro, dividido em 9 capítulos, é a continuação do que Bento 16 escreveu em 2007, Jesus de Nazaré, e fala sobre a trajetória de Cristo desde a sua entrada em Jerusalém até sua morte e Ressurreição.

Este segundo volume da vida de Jesus Cristo, segundo o papa, será lançado em 24 línguas. No Brasil, ele será publicado pela editora Planeta.

No livro, Bento 16 faz referência aos extremismos religiosos, afirmando que “os terríveis resultados de uma violência motivada religiosamente estão, de modo drástico, diante dos olhos de todos nós. A violência é o instrumento preferido do anticristo, não é útil ao humanismo, mas à desumanidade”.

“Toda a atividade e a mensagem de Jesus, desde as tentações no deserto, ao batismo no Jordão, ao discurso da montanha, até a parábola do juízo final, se opõem decididamente a este imagem.”

“A subversão violenta e o assassínio de outros em nome de Deus não correspondem a seu modo de ser”, escreve Bento 16.

O papa afirma que a imagem de Jesus como revolucionário teve relevância na década de 1960, quando autores interpretaram a passagem da purificação do Templo como um ato de violência política.

O fato de Jesus ter sido preso e justiçado seria outra prova de que foi um revolucionário, na visão de autores naquela década.

“Esta tese provocou uma onda de teologias políticas e de teologias da revolução”, escreve o papa, sem citar explicitamente movimentos como a Teologia da Libertação.

“Desde então, acalmou-se a onda das teologias da revolução que tentou legitimar a violência como meio para instaurar um mundo melhor.”

Situação atual
Na introdução do livro, o papa esclarece que também teve a preocupação de enfocar a “figura realmente histórica” de Jesus, “de modo que possa ser útil a todos os leitores que queiram encontrar Jesus e acreditar nele”.

Na parte final do livro, Bento 16 recorda uma das passagens o Evangelho e a utiliza para fazer uma comparação com a situação atual da Igreja Católica.

Ele cita a parte em que, depois de multiplicar os pães, Jesus manda os discípulos pegarem um barco e esperarem por ele no outro lado do rio. Um vento forte e o mar agitado ameaçam os discípulos e, assim, Jesus vai na direção deles caminhando sobre as águas.

“Hoje o barco da Igreja, com o vento contrário da História, navega através do oceano agitado do tempo. Muitas vezes temos a impressão que vai afundar. Mas o Senhor está presente e chega no momento oportuno.”

Livro do papa diz que judeus não têm culpa pela morte de Cristo

Do G1

Bento XVI repudia conceito de culpa coletiva que afasta cristãos e judeus.Trecho está no 2º volume de ‘Jesus de Nazaré’, que ainda será lançado.

Em um novo livro, o papa Bento XVI exime pessoalmente os judeus das acusações de que foram responsáveis pela morte de Jesus Cristo, repudiando o conceito de culpa coletiva que tem assombrado há séculos as relações entre cristãos e judeus.O papa faz a complexa avaliação teológica e bíblica numa seção do segundo volume do livro “Jesus de Nazaré”, que será publicado na semana que vem. O Vaticano divulgou trechos breves nesta quarta-feira (2).

O papa Bento XVI acena durante audiência no Vaticano nesta quarta-feira (2) (Foto: Tony Gentile / Reuters)

A Igreja Católica Romana oficialmente repudiou a idéia da culpa coletiva judaica pela morte de Cristo em um importante documento produzido pelo Segundo Concílio do Vaticano em 1965.

Acredita-se que seja a primeira vez que um papa tenha feito uma análise tão detalhada e uma comparação entre os vários relatos do Novo Testamento sobre a condenação de Jesus à morte pelo governador romano Pôncio Pilatos.

“Agora precisamos perguntar: quais foram exatamente os acusadores de Jesus?”, questiona o papa, acrescentando que o Evangelho de São João diz apenas que foram “os judeus”.

“Mas o uso dessa expressão por João não indica de forma alguma – como o leitor moderno poderá supor – o povo de Israel em geral, menos ainda tem um caráter ‘racista'”, escreve ele.

“Afinal, o próprio João era etnicamente judeu, assim como Jesus e todos os seus seguidores. A comunidade cristã antiga inteira era formada por judeus”, escreve ele.

Bento XVI diz que a referência era à “aristocracia do Templo”, que queria Jesus condenado à morte porque ele havia se declarado rei dos judeus e violara a lei religiosa judaica.

Ele conclui que o “grupo real de acusadores” foram as autoridades do Templo e não todos os judeus da época.

Elan Steinberg, vice-presidente da Reunião Americana de Sobreviventes do Holocausto e de seus Descendentes, saudou as palavras do papa. “Esse é um avanço importante. É o repúdio pessoal ao fundamento teológico de séculos de antissemitismo”, disse ele.

Bento XVI considera errado dizer que o papa é infalível

Do G1

Cidade do Vaticano, 21 nov (EFE).- Bento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos “em alguns casos”.

Ambas as declarações foram expressas no livro-entrevista do escritor Peter Seewald – baseado em entrevistas com Bento XVI -, que será lançado na próxima terça-feira, mas que teve algumas páginas divulgadas neste domingo pela imprensa italiana e alguns trechos publicados um dia antes pelo jornal vaticano “L’Osservatore Romano”.

Bento XVI também disse que nunca pensou que seria eleito papa e que, embora Deus lhe dê forças para seguir adiante, ele nota que, aos seus 83 anos, “as forças vão diminuindo”.

Além de justificar o uso do preservativo “em alguns casos”, a primeira vez que um papa o faz, Bento XVI enfrenta no livro outros aspectos do Pontificado, da Igreja, de sua vida e do momento de sua eleição.

Perguntado se “o papa é verdadeiramente infalível, um soberano absoluto, cujo pensamento e vontade são lei”, Bento XVI responde, de maneira categórica: “isso é um equívoco”.

Segundo Bento XVI, o papa se comporta “como qualquer outro bispo”, salvo em determinadas condições, “quando a tradição é clara e se sabe que não se atua arbitrariamente”.

“Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cúmulo de glória, mas alguém que dá testemunho de Cristo crucificado”.

A infalibilidade do papa, aprovada pelo Concílio Vaticano I, é um dos pontos que separam as Igrejas Católica e Ortodoxa. EFE