Marcha da Maconha protesta contra projeto que endurece lei antidrogas

Do Estadão

Manifestação distribuiu drogas lícitas, como bebidas alcoólicas e cigarros, no Viaduto do Chá

O coletivo Marcha da Maconha reuniu cerca de 150 pessoas nesta terça-feira, 2, no Viaduto do Chá, e distribuiu “drogas lícitas” em protesto contra o projeto de lei 7663/10. Proposto pelo deputado federal Osmar Terra (PMDB/RS), o PL prevê uma maior rigidez na lei antidrogas e pode ser votado ainda este mês na Câmara.

Na divulgação do evento nas redes sociais, os organizadores informaram que haveria distribuição de drogas durante o protesto. Ironizando a proibição da maconha e a legalização de outras substâncias, o grupo distribuiu bebidas alcoólicas, cigarros, salgadinhos, doces e revistas, afirmando que esses, sim, “são drogas pesadas”.

Os manifestantes enfatizaram que a conduta das autoridades em relação à questão das drogas é contraditória. “Eles falam que não se pode beber e dirigir, mas os postos de gasolina vendem bebida alcoólica”, ressaltou um organizador. “Além disso, você vai à noite para a balada e não tem transporte público. A proibição das drogas faz parte de um esquema muito maior do governo, que é a criminalização da pobreza. É desculpa para bater nos pobres.” Veja abaixo parte do discurso e a opinião de pessoas no local.

A petição no Avaaz contra o PL 7663/2010 já conta com mais de 28 mil assinaturas. Para os que se opõem à proposta do deputado, o projeto representa um retrocesso das conquistas obtidas no tratamento dos usuários de drogas. “A guerra às drogas faz mal à população, não a droga em si”, afirma um dos organizadores do evento no vídeo abaixo, que também mostra a distribuição de “drogas” na manifestação. “Gasta-se muito em verba pública para manter as pessoas presas, então a proibição só piora o sistema em que a gente vive.”

“No mundo todo, a gente vê um avanço num sentido contrário, de entender o usuário de drogas e de minimizar a situação do tráfico”, afirma outro organizador. Ele diz que defende a regulamentação da venda da maconha, mas não uma liberação desorganizada.

Ronete Rizzo é uma das organizadoras da Marcha da Maconha e diz que a droga não faz mal a ninguém. Ela diz que foram seus filhos que a convenceram de que maconha não causa problemas.

Lucas e Victor defendem o direito dos usuários de plantar maconha em casa, pois dizem que a maconha advinda do tráfico “tem uma péssima qualidade e não devia nem ser fumada”.

Franciel Leal foi à Marcha da Maconha com o filho pequeno. Ele considera paradoxal o fato de que drogas piores são legalizadas. “Acho a maconha menos prejudicial que o cigarro.”

Nova lei. O projeto de lei do deputado Osmar Terra pretende alterar a Lei Antidrogas (11.343/06) e sugere aumentar a pena tanto para tráfico quanto para porte de drogas para consumo próprio, além de defender a internação compulsória de dependentes químicos. O texto também propõe uma classificação das drogas com base na sua capacidade de causar dependência e um sistema de cadastro de usuários de drogas, instituindo o Sistema Nacional de Informação sobre Drogas e o Sistema Nacional de Acompanhamento e Avaliação das Políticas sobre Drogas.

Em seu site, o parlamentar justifica que “o projeto de lei tem por objetivo oferecer proposta para melhorar a estrutura do atendimento aos usuários ou dependentes de drogas e suas famílias e tratar com mais rigor os crimes que envolvam drogas de alto poder de causar dependência”. Saiba mais sobre o projeto de lei.

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