Saiba o que está em jogo no Egito

Do G1

Protestos querem o fim do governo de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.
Aliado dos EUA, ele sofre pressão por reformas; oposição se uniu em atos.

O Egito enfrenta uma onda de protestos sem precedentes, que pedem reformas urgentes e o fim do governo de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Ela tem inspiração no levante que derrubou o presidente da vizinha Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, cujo governo se prolongava havia 23 anos.

Além do Egito, os levantes no mundo árabe inspirados no exemplo da Tunísia já se espalharam por Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Sudão e Omã.

Aos 82 anos, Mubarak já apresentou alguns problemas de saúde e não confirmou se seria candidato a um sexto mandato na eleição presidencial prevista para setembro deste ano. Analistas acreditam que ele deseja que seu filho, Gamal Mubarak, seja o seu sucessor no comando do Partido Nacional Democrático (PND), o maior partido do país.

O partido domina o Parlamento e esteve todos estes anos a serviço do presidente, que também comanda as Forças Armadas. Mas a estabilidade deste ex-militar da Aeronáutica, principal aliado do Ocidente entre os países árabes, está ameaçada.

Nesta semana, pela primeira vez, a oposição no Egito se uniu para integrar os protestos iniciados na terça. Principal força oposicionista, a Irmandade Muçulmana, que tinha deixado aos seus membros a possibilidade de participar dos protestos, anunciou seu apoio oficial.

O posicionamento da Irmandade Muçulmana, organização da qual se originou a facção palestina Hamas, representa um novo desafio ao governo de Mubarak.

Soma-se a isto o retorno ao país do Nobel da Paz e ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU, Mohamed ElBaradei. Ele, que conta com a simpatia do Ocidente, já expressou sua disposição de assumir um eventual governo de transição caso Mubarak seja deposto.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que tem no Egito o principal aliado no mundo árabe, disse que a situação no país provoca “profunda preocupação” e defendeu a adoção de reformas necessárias.

Até mesmo aliados de Mubarak, como o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, Mostapha al Fekki, também membro do Partido Nacional Democrata, pediu ao presidente egípcio “reformas sem precedentes” para evitar uma revolução no Egito.

Pela internet

A dura repressão aos protestos no Egito tem provocado reações de diversos países. O uso de redes sociais para convocar as manifestações fizeram com que a internet fosse interrompida –o governo nega intervenção.

A proliferação de revoltas para países menores preocupa autoridades ocidentais pela fragilidade destes regimes. Nesses casos, a tomada do poder por grupos extremistas seria uma possibilidade real.

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