OS “DIREITOS DOS GAYS” SÃO UM ATAQUE ÀS CRIANÇAS

As sociedades ocidentais passaram, em décadas recentes, por uma mudança radical em sua postura a respeito da homossexualidade.

O que já foi considerado um vício intolerável agora é considerado uma “orientação”, que não difere em espécie (embora diferente em direção) das inclinações que levam os homens a se unirem com as mulheres e as crianças a nascerem.

Esta mudança radical começou com a descriminalização da conduta homossexual e com uma crescente prontidão não só em tolerar a homossexualidade em privado, mas a falar sobre ela em público.

Nós vimos o surgimento do “homossexual público”, o propagandista espalhafatoso daquale “outro” modo de vida e que, como Quentin Crisp , tentava nos persuadir de que “gay” [alegre] era a descrição certa. A partir daí seguiram-se o movimento por “orgulho gay” e as personalidades públicas que “saíam do armário” — ao ponto que não é mais é mais tão interessante assim saber se alguém é de outra opinião.

A maioria das pessoas neste país adaptaram-se às mudanças. Elas podem não se sentir bem com suas expressões mais explícitas, mas estão preparadas para tolerar o modo de vida homossexual, desde que mantido dentro dos limites da decência e não viole as regras fundamentais.

Entretanto, esta atitude não satisfaz aos ativistas. Pois tolerar é desaprovar. Só quando uma conduta ofende a alguém é que a pessoa precisa exercitar sua tolerância e os ativistas querem que as pessoas tratem a homossexualidade como normal. Por meio das idéias escorregadias de discriminação e direitos humanos, eles usaram a lei para promover sua agenda.

A homossexualidade agora é tratada pela lei como uma tendência comparável em quase todos os aspectos à heterossexualidade, de modo que qualquer tentativa de diferenciar as pessoas por motivo de sua “orientação” — seja como candidatos a um emprego ou como beneficitários de direitos — é considerada uma “discriminação” injusta, comparável em sua abominação moral à discriminação por motivo de raça ou sexo.

De forma geral, viemos a aceitar que leis contra discriminação podem ser necessárias, a fim de proteger os que sofreram no passado com preconceitos hostis. No entanto, volta e meia nós nos damos conta do fato de que, embora a homossexualidade tenha sido normalizada, ela não é normal. Nossa aceitação do estilo de vida homossexual, de casais de mesmo sexo e do cenário gay não eliminaram nossa sensação de que estas são alternativas a alguma coisa e que é a outra coisa que é normal.

Esta outra coisa não é o desejo heterossexual, concebido como uma “orientação”. É a união heterossexual: a junção de um homem e uma mulher em um ato que leva, no curso natural das coisas, não só a um compromisso mútuo, mas ao nascimento de crianças, à criação de uma família e aos hábitos de auto-sacrifício dos quais, independente do que se pense e diga, o futuro da sociedade depende.

A propaganda que tenta reescrever a heterossexualidade como uma “orientação” na verdade é uma tentativa de nos persuadir a fazermos vista grossa à real verdade sobre a união sexual, e que é que, em sua forma normal, ela é o modo pela qual uma geração dá lugar à próxima.

Esta verdade é reconhecida por todas as grandes religiões e é endossada pela persperctiva cristã a respeito do casamento como uma união criada por Deus. Isto explica em grande parte a relutância de todas as pessoas religiosas em endossarem o casamento gay, que elas vêem como uma tentativa de reescrever em termos meramente humanos o contrato eterno com a sociedade.

Para colocar a coisa de outro modo, elas vêem o casamento gay como a profanação de um sacramento. Daí o conflito crescente entre a agenda gay e a religião tradicional, do qual a atual disputa a respeito de “direitos de adoção” é o último sinal.

De acordo com a visão cristã — e ela é compartilhada, eu acredito, por muçulmanos e judeus – a adoção significa receber uma criança como membro da família, como alguém com o qual você está comprometido do modo que um pai e uma mãe estão comprometidos com seus próprios filhos. Este é um ato de sacrifício, realizado em proveito da criança e com vistas a dar àquela criança o bem-estar de um lar. Seu objetivo não é gratificar os pais, mas assumir a criança, tornado-a parte da família.

Para pessoas religiosas, isto significa dar à criança um pai e uma mãe. Qualquer outra coisa seria uma injustiça com a criança e um abuso de sua inocência. Logo, não existe esta história de “direitos de adoção”. Adoção é a suposição de um dever e os únicos direitos envolvidos são os direitos da criança.

Contra este argumento, o apelo a leis “anti-discriminação” é certamente irrelevante. O propósito da adoção não é gratificar os pais adotivos, mas ajudar à criança. E já que, segundo a visão religiosa, a única ajuda que pode ser oferecida é a disponibilização de uma família de verdade, excluir os casais gays não é um ato maior de discriminação do que excluir ligações incestuosas ou comunas de “swingers” promíscuos.

Na verdade, o pressuposto de que a adoção é inteiramente uma questão de “direitos” a partir da perspectiva dos pais mostra a inversão moral que aflige a sociedade moderna. Ao invés de considerarem a família como o modo de atual geração se sacrificar pela próxima, estão nos pedindo que façamos vista grossa a tudo que sabemos sobre a fragilidade das parcerias homossexuais, sobre as necessidades psicológicas das crianças e sobre as regras que ainda prevalecem em nossas escolas e comunidades, em função de uma fantasia ideológica.

Opor-se à adoção homossexual não é acreditar que os homossexuais não devam ter nenhum contato com crianças. De Platão a Britten, os homossexuais se destacaram como professores (muitas vezes sublimando seus sentimentos eróticos, como fizeram estes dois grandes homens), cultivando as mentes e espíritos dos jovens.

Mas foi Platão quem, nas Leis, apontou que os homossexuais, como os hererossexuais, devem aprender a via do sacrifício e que não são desejos atuais que devem guiá-los, mas os interesses de longo prazo da comunidade. E certamente não é implausível pensar que é mais provável que estes interesses de longo prazo sejam protegidos pela religião do que pelas ideologias políticas que regem o Partido Trabalhista.

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