Após protestos, Mubarak anuncia que formará novo governo no Egito

Do UOL

CRISE NO EGITO

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou na noite desta sexta-feira (28) que pediu a renúncia do atual governo e formará um novo governo a partir de amanhã.

“Pedi ao governo para renunciar hoje e formarei um novo governo amanhã”, afirmou o presidente em um discurso transmitido pela TV, após quatro dias de protestos contra o governo e as condições sociais do país.

No entanto, o presidente não indicou que deixaria a chefia do governo, como pediam os manifestantes nas ruas das maiores cidades do país.

Chamado à união
Em sua mensagem ao país, Mubarak disse que não toleraria atos de violência e pediu que os egípcios que sejam “um só povo, uma só nação”.
“Clamo os egípcios a trabalhar pelo interesse do Egito”, acrescentou. “Os problemas que nos enfrentamos não podem ser superados por violência e caos, mas por diálogo nacional”.

O presidente também mencionou as “reformas” com as quais seu governo está comprometido para melhorar o nível de emprego, as condições de saúde e de educação do país.

“Dediquei minha vida ao país em tempos de guerra e paz”, afirmou. “Não posso deixar que o temor [de novas turbulências] domine nossa população”.

EUA pedem mais liberdade civil
O anúncio do presidente egípcio veio depois da Casa Branca afirmar que o Egito precisa de reformas, mas que elas devem ser feitas pelo presidente Mubarak.

O secretário de imprensa americano, Robert Gibbs, afirmou na tarde de hoje que liberdade de expressão, de manifestação, de organização e na internet devem ser garantidas no Egito.

Perguntado se o tempo dessas mudanças serem feitas por Mubarak já teria passado, o secretário de Obama foi categórico: “Absolutamente não”.

Gibbs preferiu não responder diretamente se o apoio de Obama a Mubarak continua. “Estamos monitorando uma situação fluida”, disse. A frase foi usada pelo menos outras cinco vezes para desviar de perguntas incômodas.

Mais cedo, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, foi questionado se este seria o momento de Mubarak se afastar da presidência. “Não. Acho que chegou o momento de Mubarak começar a se mover na direção de ser mais sensível às necessidades das pessoas”, respondeu Biden.

“Eu não me referiria a Mubarak como um ditador”, disse ele em outro momento da entrevista, concedida ao jornalista Jim Lehrer.

Sequência de protestos e toque de recolher
Milhares de manifestantes desafiaram a presença do Exército nas ruas das maiores cidades do Egito nesta sexta-feira, ignorando o toque de recolher decretado pelo governo em resposta aos protestos contra o governo de Murabak, que chefia o país há três décadas.

Os jovens se queixam do desemprego, da inflação, da corrupção e do autoritarismo do governo – questões semelhantes às que levaram derrubada do presidente na Tunísia, e que também desencadearam protestos em países como Argélia e Iêmen.

Segundo fontes médicas citadas pela AFP, pelo menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos confrontos desta sexta-feira, o que eleva o número de mortos a 27, em todo o país, desde o dia 25 de janeiro.

Nota do editor – Devemos levantar um clamor pelo Egito e demais países que estão em guerra no continente africano. Também precisamos interceder pelos missionários que estão nesses países.

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