Lideranças se debatem entre realidade e orientação da Igreja, diz Pastoral da Aids da CNBB

Do UOL

A Pastoral de Aids, braço da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que trabalha para a contenção da doença no Brasil, comentou nesta segunda-feira as declarações do papa Bento 16 sobre o uso de camisinha. Segundo o assessor nacional da entidade, frei Luiz Carlos Lunardi, “a declaração de Bento 16 traz uma resposta aos desafios da realidade atual”. “Os agentes pastorais e as lideranças que têm trabalhos no contexto de controle da epidemia da Aids se debatem com o conflito entre a realidade e orientação da Igreja”, disse.

O Papa Bento 16 lança nesta terça-feira (23) o livro “Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times” (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo), baseado em uma série de entrevistas dada ao jornalista alemão Peter Seewald. No fim de semana, trechos das entrevistas foram publicados pelo jornal do Vaticano e correram o mundo. O sumo pontífice surpreendeu ao defender o uso de camisinhas contra o avanço da Aids em determinados casos.

Lunardi, no entanto, ressalva que a declaração não é um documento oficial e foi dada em um contexto circunstancial. “A igreja continua com seu princípio reconhecendo que o comportamento sexual responsável é o caminho para evitar a doença”, afirmou. Para ele, não é o papel da Pastoral distribuir preservativos, mas oferecer “toda a informação sobre a epidemia, formas de contágio e de prevenção, cofiando que a pessoa […] tenha condições de decidir sobre o método adequado a seu comportamento”.

A importância da declaração, segundo Lunardi, está em lançar “luz sobre desafios concretos que a epidemia apresenta à Igreja e à sociedade, e [que] provocará reflexão que contribuirá na resposta à epidemia”.

Governo federal

O diretor-adjunto do Programa Nacional de DST (doenças sexualmente transmissíveis) e Aids do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, acredita que a declaração de Bento 16 é um avanço “uma vez que a Igreja reconhece a camisinha” e isso permite “a ampliação dos trabalhos com a própria Igreja Católica no Brasil”.

“A gente não esperava que ele (Bento 16) desse a declaração nesse momento. Para nós foi uma boa surpresa”, afirmou.
Barbosa defende a Igreja Católica como aliada no combate à doença. “No Brasil a gente tem a Igreja Católica como aliada, apesar da restrição até aqui de se discutir o uso de preservativos”, disse. E completou: “Com essa declaração abre portas para que a gente discuta a incorporação de preservativo nessas ações.”

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