Internet, aborto e religião afetaram as eleições presidenciais

Do Blog do Júlio Severo

O aborto e a religião podem ter provocado um segundo turno na eleição presidencial no Brasil.

As pesquisas de opinião pública nos meses passados vinham sistematicamente dando para Dilma Rousseff uma vitória de 51-59%. Rousseff é a candidata escolhida do popular presidente socialista Luiz Inácio “Lula” da Silva para substituí-lo na presidência do Brasil. De acordo com a Constituição brasileira, um candidato vence quando obtém 50% ou mais, mas evidentemente Rousseff não conseguiu maioria absoluta, e terá de trabalhar mais no segundo turno.

Grandes jornais no Brasil atribuíram esse resultado ao aborto. A Folha de S. Paulo noticiou que “Dilma perdeu votos entre eleitores evangélicos”, enquanto O Estado de S. Paulo disse que “algo novo
começou a acontecer”, e então detalha que Rousseff, que queria a liberalização das leis de aborto em 2007, “teve de ir a público agora dizer que é contra a prática e que não tomaria iniciativa de propor nenhuma lei para legalizá-la”.

O Estado de S. Paulo sugeriu que “a polêmica em torno da legalização do aborto pode ter tido um peso maior no refluxo das intenções de voto de Dilma”.

Em outro artigo, intitulado “Internet e religião podem explicar queda da petista”, o mesmo jornal diz que a queda dela foi causada, entre outros motivos, “por causa da polêmica na internet sobre sua opinião a respeito do aborto”.

Muitos sites brasileiros, inclusive Notícias Pró-Família (a versão em português de LifeSiteNews) e meu blog, têm estado trabalhando para conscientizar os brasileiros acerca das questões da vida. A eleição brasileira em 3 de outubro revelou os resultados desse trabalho duro.

De forma geral, os eleitores brasileiros estão desiludidos com a política. Excetuando a questão do aborto, os brasileiros não mais levam a sério as eleições e qualquer candidato pode ser eleito. Aliás, um palhaço recebeu votação em massa em São Paulo e, muito embora seja analfabeto, será deputado federal no Congresso Nacional!

Rousseff, que se proclama católica e é a herdeira política de Lula, ficou com 46%. Seu principal oponente, o social democrata católico José Serra, obteve 32%, e a evangélica Marina Silva ficou com 19%. Marina, que por muitos anos era membra do PT e agora está no Partido Verde, tem conexões com Al Gore, famosa figura pró-aborto e pró-sodomia.

Lula observou que, pela primeira vez na história do Brasil, todos os candidatos presidenciais são socialistas. Apesar disso, ele prefere Rousseff, que era membra de um grupo de guerrilha comunista na década de 1960 e com toda probabilidade será politicamente mais agressiva na promoção da agenda do PT.

Muito embora nenhum deles seja um legítimo candidato pró-família, os líderes pró-família do Brasil optaram pela via do “mal menor”. Provavelmente funcionou. Durante dois meses, um vídeo no YouTube do pastor batista Paschoal Piragine obteve quase 3 milhões de visitações. A mensagem dele desmascara as políticas pró-aborto e pró-homossexualidade do PT e incentiva os evangélicos a não votarem nele.

Durante muitos meses, a elevada popularidade de Lula e várias pesquisas de opinião pública sinalizavam uma vitória certa e fácil para Dilma Rousseff. Contudo, o segundo turno provocado pela questão do aborto coloca agora a vitória dela em dúvida.

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