Utensílios indicam que homem deixou a África antes do que se pensava

Katie Alcock
Repórter de ciência da BBC News

 
Utensílios da Idade da Pedra recentemente encontrados indicam que a espécie humana deixou a África rumo a outros continentes antes do que se imaginava, segundo afirma um grupo de cientistas britânicos.

Geneticistas estimam que a migração da África para o Sudeste Asiático e a Austrália ocorreu 60 mil anos atrás. Mas Michael Petraglia, da Universidade Oxford, e colegas dizem que ferramentas achadas na Península Arábica e na Índia indicam que o êxodo começou entre 70 mil e 80 mil anos atrás – e talvez até antes.

As descobertas foram divulgadas no Festival Britânico de Ciências, que neste ano ocorreu na Universidade Aston, em Birmingham.

“Eu creio que múltiplas populações deixaram a África no período entre 120 mil e 70 mil anos atrás”, disse ele. “Nossa prova são ferramentas de pedra que podemos datar.”

Migração por terra
A maioria dos utensílios foi achada a centenas de quilômetros do mar. Segundo Petraglia, isso significa que é mais provável que os humanos tenham migrado por terra, e não de barco.

As peças foram encontradas em áreas que hoje são inóspitas, mas que à época eram muito mais favoráveis à sobrevivência humana.

“Durante o período de que estamos falando, os ambientes eram na verdade bem hospitaleiros”, disse ele à BBC News. “Onde hoje já desertos, costumava haver lagos e rios, e havia animais e plantas em abundância.”

O grupo encontrou as ferramentas de pedra – que medem entre 2 e 10 centímetros – em camadas de sedimentos, cuja idade pode ser medida com o uso de areia e material vulcânico coletados abaixo e acima dos objetos. As ferramentas são basicamente punhais e raspadores.

Algumas delas estavam cercadas por cinzas da gigante erupção de Toba, que os geólogos dizem ter ocorrido 74 mil anos atrás.

Outras espécies de hominídeos claramente deixaram a África antes da nossa espécie (Homo sapiens), mas Petraglia crê que as ferramentas foram feitas por homens modernos – e não pelos de Neandertal, por exemplo.

Análises genéticas
Pesquisas anteriores se embasavam em análises genéticas de populações modernas para determinar o quão distantes elas estavam dos ancestrais africanos. Segundo Chris Stringer, professor do Museu de História Natural de Londres, esses estudos indicam que humanos deixaram a África há cerca de 60 mil anos, ou ainda mais recentemente.

Para Petraglia, no entanto, pesquisar essas migrações por meio de análises genéticas pode gerar resultados imprecisos, já que não há amostras de DNA dos nossos antepassados para comparar com as amostras dos povos atuais.

O grupo do pesquisador agora planeja continuar com as escavações na Ásia.

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