Os evangélicos e o voto consciente

Da CBB
por Nilo Tavares Silva, Pastor e historiador

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12.2.

“Tem político que tem vergonha de evangélico. Antes das eleições, todo evangélico é bom. Depois das eleições, se puder não recebe porque significa atraso” – Luiz Inácio Lula da Silva.

A frase em destaque acima é muito corriqueira e indica uma realidade que acontece com frequência no contexto brasileiro, principalmente no chamado ano eleitoral, no qual o segmento evangélico se torna uma importante massa quantitativa de votos para os candidatos do momento. Gostaria de pensar com os leitores sobre algumas situações interessantes que envolvem o meio evangélico nesse contexto com o intuito de despertar uma postura mais consciente e engajada no meio cristão.

O envolvimento político sadio é imprescindível para a saúde da própria igreja, assim como para o bem da sociedade. E, como a comunidade evangélica brasileira é a segunda maior do mundo, entendo que podemos, como sal da terra e luz do mundo, contribuir de maneira positiva para a resolução dos problemas existentes na realidade com a boa política e a boa espiritualidade.

Quase sempre a imprensa e alguns políticos criticam a campanha de candidatos ou políticos evangélicos alegando que estes estariam “misturando religião e política”, ameaçando a separação entre igreja e estado, princípio bem conhecido dos batistas de todas as partes do mundo.

É verdade que podemos não concordar com as políticas deste ou daquele candidato, mas não devemos combater a ideia de que nossa participação política como evangélicos deve ser deslegitimada, afinal dizer que a religião em si nada tem a ver com a conduta política é lógica e historicamente falso. Na verdade, a política não deve ser um meio de fortalecer uma religião em detrimento de outras, o que é caracterizado como abuso.

Mas, adentrando no meio evangélico, observamos algumas posturas que inviabilizam uma escolha consciente e engajada na eleição de bons candidatos para o Governo. Vejamos algumas situações interessantes.

A primeira é o apoliticismo (crente não pode ter nenhum tipo de relação com a política), que coloca o indivíduo contra algo essencial à manutenção da democracia. O que passa desapercebido por muitos é que isso já se constitui numa posição política. O termo apolítico pode ser interpretado como “apartidário”, “não engajado” e “alienado”. Por esse prisma, ser apolítico não é deixar de tomar posição. Desta forma, a omissão nesse caso constitui uma contribuição silenciosa à corrupção e perversão do legítimo poder político.

A segunda posição extremada adotada por uma grande parcela dos irmãos evangélicos é a do adesismo lunático, que é o oposto do apoliticismo. Um envolvimento sem escrúpulos e sem nenhuma ideologia politicamente saudável em que muitos princípios são esquecidos, mandamentos são pisados e o bom senso é ridicularizado. A consequência direta desta postura é a seguinte: A política passa a ser tida como algo intrinsecamente mau e pervertido. O slogan “irmão vota em irmão” é característico desse tipo de postura. Todavia, não há embasamento bíblico para tal conceito. Deixo para consulta os textos de Romanos 13.1-6 e Êxodo 18.21-27, a partir dos quais os irmãos poderão ver a posição bíblica sobre o assunto.

Lembremos que ser crente não é atestado de honestidade, e por isso precisamos ensinar em nossas igrejas conceitos ligados à ética bíblico-política, já que as mesmas possuem uma vida comunitária intensa, sentimento de minoria e forte sentido de missão, mas um baixo nível de politização.

Muitos pontos poderiam ser levantados nesse texto, mas prefiro dar alguns conselhos importantes para a tomada de uma boa decisão na hora de votar: O candidato evangélico é realmente um evangélico candidato? Qual o conceito de “serviço cristão” que o candidato possui? Faça uma distinção entre caráter e carisma do candidato. Lembre-se que o slogan “irmão vota em irmão” só é justificado quando o “irmão” em Cristo possui vocação política comprovada e uma agenda política apropriada.

Um último lembrete: Não é o mero uso de um discurso religioso que torna um candidato, evangélico ou não, aceitável para os cristãos, veja as propostas e a caminhada de vida do candidato e não eleja o mesmo baseado apenas em montagens de marketing que seduzem pela emoção o povo brasileiro na hora de decidir o futuro do país. Que Deus nos ajude em nossas importantes e decisivas escolhas.

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