Imobiliárias buscam novos corretores

Do Jornal do Comércio
por
Leonardo Spinelli

Mercado de vendas de imóveis está aquecido. O fenômeno abriu mercado para os corretores de imóveis. As grandes imobiliárias da cidade enfrentam dificuldades para achar novos profissionais

Com vendas superiores a 120% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o mercado imobiliário do Grande Recife vem experimentando o que se costumou chamar de boom imobiliário. Foram 1.456 unidades vendidas nos três primeiros meses do ano passado, contra as 3.237 em igual período deste ano. O fenômeno abriu mercado para o profissional que gosta de vendas. Atualmente, as grandes imobiliárias da cidade enfrentam dificuldades para achar novos corretores. “O mercado está muito aquecido, as vendas estão num ritmo muito bom. Com isso, as imobiliárias aumentaram seu efetivo, nos plantões de vendas, todo mundo mobilizado mas, mesmo assim, está faltando mão de obra”, afirma o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-PE), Luciano Novaes.

Um exemplo disso está acontecendo na DMC Imóveis, uma das imobiliárias mais atuantes da capital. Seu diretor, Marcelo Carvalho, conta que a empresa costumava trabalhar com um efetivo de 40 profissionais e atualmente dispõe de mais de 90 deles. “Hoje tem muito imóvel, muito diferente de anos anteriores, quando o Recife estava parado. Durante o período de crise, muita gente caiu fora do mercado. Então, está faltando profissional qualificado. Hoje, mais que dobramos nosso efetivo de corretores mas ainda precisamos de mais. Temos novos lançamentos, plantão de vendas, prospecção de novos clientes”, diz Carvalho.

Oferecendo horário flexível e comissões de 1,25% sobre o valor do imóvel vendido, a profissão de corretor pode gerar uma remuneração média a partir de R$ 3.000, diz o pessoal ligado à área. “A comissão de corretagem é de 5%, mas 25% deste percentual fica com quem vendeu e outros 25% com o corretor que captou o imóvel do cliente. Os 50% restantes ficam com a imobiliária”, explica Novaes, completando. “O corretor é um profissional autônomo, vive de sua comissão e não é ligado à imobiliária. A empresa é que entra com espaço físico, o anúncio, a burocracia. O corretor não tem essas despesas.”

Carvalho diz que um corretor mediano pode tirar até mais de R$ 4.000 num mês, depende muito de sua força de vontade e trabalho duro. “Se o profissional vender quatro apartamentos populares na faixa de R$ 100 mil num mês, já tirou R$ 4.400. Com os bancos financiando, não é difícil. O cliente padrão deste imóvel é uma pessoa que tem R$ 8.000 de poupança e o restante financia. Quem encara a corretagem como profissão, vai se dar bem na vida. Até porque hoje não é fácil encontrar emprego para ganhar R$ 4.000. Se ele se dedicar, pode tirar até mais que isso.”

Experiente no ramo, o corretor Wilson Santos começou a trabalhar no segmento no tempo das vacas magras, mas conseguiu imprimir seu estilo aos negócios e há anos é um profissional altamente solicitado no mercado, apesar da idade, 70 anos. Antes de ser corretor, Santos era empresário do ramo de combustíveis, dono de posto de gasolina. “Troquei meu terreno na Caxangá por área e, além disso, vendi quase todas as unidades do edifício (o empresarial Caxangá Trade Center) que ficou no local do meu posto”, disse. Santos já vendeu para as maiores construtoras da capital.

Ele afirma que a ocupação, apesar de oferecer horário flexível, exige muita dedicação. “Você se priva um pouco da família, principalmente nos plantões de final de semana, mas dá para resolver com as escalas”, acrescenta.

Wilson é um exemplo de que a profissão é democrática e aceita todo mundo que tem disposição para o trabalho, independente da idade. “Com essa minha idade não teria chance em empresas privadas. Além disso, dificilmente teria o ganho que tenho hoje na corretagem. Por isso vemos a cada dia bancários, advogados, engenheiros deixando suas profissões para se dedicar à venda de imóveis.”

Cursos estão com inscrições abertas

Por ser uma profissão autônoma, a corretagem imobiliária tem suas peculiaridades. Não cria vínculo empregatício, mas por outro lado atrai pessoas sem licença para atuar. Quem pretende se tornar um corretor tem de saber que o ofício é regulado pela Lei 6.530/78 e quem fiscaliza sua aplicação são os Conselhos Regionais de Corretores (Creci), autarquias ligadas ao Ministério do Trabalho. A exigência básica para exercer a profissão é possuir o título de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI). No Grande Recife há três instituições que oferecem o curso e todas elas estão com período de inscrição em aberto. Os cursos duram mais de um ano e têm mensalidades de até R$ 200.

Na Faculdade de Ciências de Administração de Pernambuco (Fcap/UPE) as inscrições para o processo seletivo do curso de Gestão Imobiliária terminam no próximo dia 11 de junho. O curso é superior tecnológico e permite a retirada do Creci ao final. Tem custo de R$ 200 mensais e duração de dois anos. Para ingressar é necessário fazer a seleção, que exige nível médio completo e conhecimentos em língua portuguesa e matemática – que inclui aritmética, álgebra, geometria, trigonometria e geometria analítica. A inscrição custa R$ 70 e as provas acontecem no dia 20 de junho. Mais informações no endereço http://www.fcap.adm.br/site.php?p=gr_curso_gi.

Já o TTI do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Pernambuco (Sindimóveis-PE) começa no dia 28 de junho e suas inscrições estão abertas para os interessados. Este curso é de nível médio e tem duração de 15 meses, com aulas nas segundas, quartas e sextas, de manhã e à noite, com mensalidade de R$ 135. A matrícula é de R$ 110 e é cobrado o custo da apostila, de R$ 80. Informações no site http://www.sindimoveis.com.br.

Outra opção é oferecida pela Faculdade Joaquim Nabuco. O curso de transações imobiliárias da instituição tem início no dia 5 de julho e também basta matricular-se para ter direito de cursá-lo. Há aulas pela manhã e à noite, mas os custos variam de R$ 149 a R$ 169, respectivamente. O valor da matrícula é o mesmo da mensalidade e sua duração é de um ano e meio. Informações no endereço http://www.joaquimnabuco.edu.br.

“Primordial para exercer a profissão é o Creci. Depois, o profissional tem de conhecer o produto que vai trabalhar, entender de sistema financeiro, porque hoje as vendas são financiadas pelos bancos”, recomenda Marcelo Carvalho.

O presidente do Sindimóveis, Paulo Rodrigues, completa. “São muitos os conhecimentos exigidos. Tem de entender de tabela, saber lidar com o cliente, registro de imóvel, o que é terreno de marinha, laudêmio, taxa de ocupação, além das responsabilidades. O código civil prevê implicações para qualquer fato que cause prejuízo ao vendedor ou comprador”, diz Rodrigues.

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