Considerações sobre as discrepâncias nos Evangelhos sinóticos (VÍDEO)

Do Blog Pr. Artur

John Piper fala como o cristão deve lidar com as aparentes discrepâncias entre os evangelhos “sinóticos” (Mateus, Marcos e Lucas)

Apesar da explicação simples, porém concisa, com que o Pr. e autor John Piper respondeu à questão do estudante, sabe-se que as teses mais eruditas sobre o tema em questão não fogem, essencialmente, ao que foi dito. Sou professor da disciplina “Evangelhos”, em um curso de Teologia (Bacharelado) que leciono, e atualmente utilizo o autor indicado por Piper, Craig Bloomberg, autor de “Jesus e os Evangelhos”, nas minhas aulas. O livro é realmente bom e tem um razoável nível de erudição conservadora sobre o assunto, assim como o de Broadus David Hale, “Introdução ao Estudo do Novo Testamento”. Há muito material sendo feito e de boa qualidade. Contudo, é necessário que o cristão entenda que questões não resolvidas não implicam, necessariamente, em ´erros´ e ´contradições´ nos Evangelhos.

O estudo destas ´discrepâncias´ entre os evangelhos chama-se “Harmonia dos Evangelhos”. Um bom exemplo de um texto traduzido para a língua portuguesa é o livro de nomo homônimo, de Stanley Gundry. Este livro, por exemplo, coloca os textos evangelísticos (inclusive o de João) em paralelo, e observa-se com mais clareza as diferenças nas ênfases dos relatos. Como disse o Pr. Piper, a intencionalidade de cada evangelística de cada autor deve ser levada em consideração, e os autores modernos pensam exatamente assim. Sabe-se que os autores dos Evangelhos têm “propostas teológicas” com um elemento invariável e comum, o messiânico, porém com outros elementos variáveis, peculiares a cada evangelista e que estavam em função de seus respectivos destinatários.

Assim, hoje (de um modo praticamente unânime, entre os autores mais conservadores), estabeleceu-se – a partir da análise da Crítica Textual -, o seguinte quadro:

“Mateus”escreveu imediatamente para os judeus e, mediatamente, para uma comunidade gentílica. É o único dos evangelistas bíblicos que apresenta a palavra “Igreja” (ekklessia, no grego. Ex. capítulo 16). Sua “teologia da mensagem” versa sobre a “Realeza de Cristo (Messias)”. É o que mais fala no Reino de Deus – particularmente no “Reino dos Céus“, expressão que lhe é peculiar, talvez por um cuidado rabínico em não expressar constantemente o nome de Deus (daí não usar o termo “Reino de Deus”).

“Marcos” – hoje, há um debate, que se iniciou no século XIX, sobre a chamada “prioridade de Marcos”. Se isto for estabelecido, “Marcos” foi o primeiro dos Evangelhos bíblicos escritos, e não “Mateus”. Sabe-se que os livros bíblicos não estão na ordem cronológica de sua composição, mas no caso dos Evangelhos isto não era verdade. Marcos é o menor dos evangelhos (em termos de quantidade de texto) e também traz como tema central o messianismo de Jesus. Contudo, por causa de características peculiares ao seu relato – em que mostra um estilo prático no conteúdo e na forma -, afirma-se que o Evangelho é o que enfatiza o “Messias-Servo de Deus”.

"Les Quatre Evangélistes" ("Os Quatro Evangelistas", 1678), do pintor flamengo Jacob Jordaens.

“Lucas” – o evangelho que leva o nome de um dos maiores colaboradores do apóstolo Paulo é o único que tem o destinatário especificado, “Teófilo” (cap. 1, vss 1-4). Lucas, como os demais sinóticos e o Evangelho de João também enfatiza o messianismo de Jesus, com a particularidade de evidenciar o aspecto humano deste. É o Evangelho em que mais se vê a expressão “Filho do Homem” e é o único em que a genealogia de Jesus retroage até o primeiro homem, Adão. Isto pode denotar a ideia de que Lucas, que era grego, queria ressaltar que Jesus Cristo, antes de ser “Filho de Davi” ou “Filho de Abrão” – expressões que carregam uma forte conotação etnocêntrica -, era o “Filho do Homem”, com uma ligação com toda a humanidade.

“João” – não é considerado um sinótico com os demais, pois não é semelhante aos mesmos. João é, na verdade, 93% diferente dos Evangelhos sinóticos. Isto se dá pela ênfase do relato joanino, que, como os demais, também enfatiza o aspecto messiânico de Jesus. Contudo, João escreve o Evangelho que leva seu nome de uma maneira mais peculiar: estão evidenciadas no relato os discursos de Jesus que o ligam à divinidade, ou seja, àqueles que revelam que Jesus era Deus. Os discursos “Eu Sou…” de Jesus, exclusivos de João, consolidam esta idéia. Neste Evangelho Jesus é, por exemplo, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (14:6), aliando-se especialmente à divindade. O “prólogo” joanino é um dos mais conhecidos de toda a literatura bíblica (“No princípio era a Palavra (Verbo), e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” – vs. 1). Uma cristologia apurada já pode ser observada neste texto, no qual o autor (João) liga Jesus (“a Palavra”) a Deus, sem confundi-lo com Deus Pai. Assim, Jesus está com Deus e é Deus, corroborando o tradicional e ortodoxo dogma da divinidade e humanidade de Jesus.

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3 respostas para Considerações sobre as discrepâncias nos Evangelhos sinóticos (VÍDEO)

  1. manoel pedro cavalcanti disse:

    Muito bom o texto, pois sou estudante de teologia – cursando o 1º período e fiz uso das declarações do Piper para enriquecer a minha pesquisa acerca do assunto.
    E além de sua breve mas enriquecedora declaração – vi e entendi a real necessidade de se fazer releituras dos evangelhos e depois buscar especialistas na área.
    Pois tenho buscado, até que ponto as afirmações de Jesus, afirmadas nas Escrituras, são de fato de Jesus – e se essa mudança, se é que ocorre, até que ponto interfere na autenticidade e confiabilidade?

  2. ilana gabriela.............. disse:

    a minha pergunta nao tira a duvida em nenhum site e agora tenho que tira 10 na prova

  3. muito bom o texto mas e dificil as perguntas do colegio pra tirar nota100000 disse:

    AMO DE MAIS DICIPLINA DE EVANGELIOS PARABBBENS . POR SUA PROFIÇAO

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