Conflitos na Nigéria envolvem questões religiosas e disputas por terras

Do UOL Notícias

A origem dos conflitos de domingo (7) entre muçulmanos e cristãos que deixaram 500 mortos e 200 feridos na Nigéria, segundo alguns relatos, não se limita apenas a disputas religiosas. Por trás da violência está, também, a briga por terra e recursos naturais.

O ataque do último fim de semana é o mais recente episódio do confronto étnico-religioso do Estado de Plateau, região onde o norte mulçumano da etnia fulani encontra-se com o sul cristão da etnia berom.

Para o nigeriano Chima Korieh, professor assistente do Departamento de História da Universidade de Marquette, nos Estados Unidos, existem aspectos religiosos que explicam os confrontos, mas não se pode descartar as questões econômicas e políticas.

“A maior parte desta região é habitada por cristãos, mas há muitos muçulmanos emigrando para lá. Isso tem feito com que haja contestação em torno dos recursos [naturais] e da terra. Os cristãos acham que os muçulmanos querem tomar o que é deles, e o governo não tem feito nada” explica Korieh.

Os fulanis são nômades e pecuaristas que foram para a região de Jos -capital do Estado de Plateau- em busca de pasto. Já os berons são agricultores e controlam as terras férteis.

“É preciso ir à raiz do problema. O problema de acesso aos recursos, [definir] a quem pertence os recursos e de quem é a terra. Se nada for feito, isso [os confrontos] continuará acontecendo”, afirma Koriech.

Segundo explica o professor nigeriano, as disputas na região são antigas e têm crescido nos últimos anos. Os conflitos envolvendo cristãos e muçulmanos na Nigéria deixaram mais de 12 mil mortos desde 1999, quando foi implantada a sharia (lei islâmica) em 12 Estados do norte do país.

“Em 1967, antes da Guerra Civil na Nigéria começar, tivemos muitos assassinatos entre muçulmanos e cristãos no norte. [O primeiro conflito de] 1999 não foi um caso isolado, é algo que vem crescendo na Nigéria desde a década de 50 do século passado”, afirma.

O último confronto tinha ocorrido em janeiro deste ano, quando cristãos atacaram e mataram mais de 300 muçulmanos. Os ataques do último fim de semana seriam uma vingança por parte dos fulanis.

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