Uma semana após terremoto, Haiti vive fome, sede e conta seus mortos

Do Uol

Uma Porto Príncipe devastada, milhares de habitantes famintos e incontáveis mortos, enterrados e à espera de enterro, são o saldo, uma semana depois, do terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na última terça-feira (12).

O início da tragédia tem hora e local: 16h53 (19h53 no horário de Brasília), epicentro a 15 quilômetros da capital do país. Mas os estragos ultrapassaram as fronteiras da nação mais pobre do hemisfério ocidental, hoje com 1,5 milhão de desabrigados, metade de sua população.

Entre os mortos, estrangeiros de pelo menos 25 nacionalidades e 19 brasileiros. Entre eles, a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti e o brasileiro no mais alto posto da organização.

Primeiro país independente da América Latina, o Haiti agora depende da mobilização internacional iniciada logo após o tremor. A ajuda, no entanto, enfrenta a barreira logística -a dificuldade de distribuir alimento e água a milhares espalhados em acampamentos improvisados, dormindo ao relento, sob uma paisagem de destroços e corpos em decomposição.

Se a estimativa do governo haitiano se concretizar, serão 200 mil mortos que colocarão a tragédia entre as dez piores da história. Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) acredita em 100 mil mortes. Aproximadamente 70 mil corpos haviam sido enterrados em valas comuns até esta segunda-feira (18).

Na tentativa de recuperação, que deve levar anos, o Brasil tem papel de destaque. Lidera as tropas da missão de paz da ONU no país, com 1.266 militares -número que pode dobrar, segundo o Exército, para ajudar na reconstrução do país. A Minustah, como é chamada a missão da ONU no Haiti, tem contingente de cerca de 9.000 pessoas, pouco mais de 7.000 delas militares.

Em meio ao caos, cenas de esperança. Um grupo, do qual fazia parte um menino de sete anos, sobreviveu 120 horas sob escombros de um supermercado. Somam-se às cerca de 70 pessoas retiradas com vida do que restou dos prédios derrubados, mesmo após dias debaixo da terra.

Mas as consequências do terremoto vão além da destruição de patrimônio em um país com elevados índices de doenças como Aids, tuberculose e malária. Para médicos no Haiti, o pior ainda está por vir. As infecções decorrentes da demora em enterrar os mortos e atender os feridos em um país de crianças subnutridas, onde a higiene já era um desafio, pode provocar um dos piores desastres médicos da história.

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, prevê surtos de doenças infecciosas. “Há as variedades de doenças típicas daqui, mas certamente haverá uma piora depois de um desastre como esse”, afirmou à agência Reuters Steven Harris, diretor médico do CDC no Haiti.

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