DI é o mesmo que Criacionismo?

O que pensam os ´Criacionistas´ e os proponentes do ´Design Inteligente´ (DI)

Do blog do Pr. Artur

 

O livro The Earth – Origins and Early History, de Clyde Webster, às páginas 22 e 24, apresenta um bom resumo dos aspectos que o criacionismo aceita como válidos:

1. Deus ordenou que aparecesse a matéria física do Universo e chamou à existência os ancestrais das criaturas viventes atuais.

2. As obras criadoras de Deus se manifestaram durante o limitado período de tempo de seis dias de 24 horas. (Alguns incluem a criação de todo o Universo [ou do sistema solar, ou ainda da Terra] nesse espaço de tempo, ao passo que outros incluem somente a criação da matéria orgânica viva da Terra.)

3. Embora reconheça que as formas vivas se modificam, tais mutações são limitadas e não-progressivas.

4. Com a queda espiritual do homem, novas forças começaram a operar na natureza. Essas forças causaram decadência e o afastamento do original e perfeito plano criativo de Deus. Essas forças ainda se encontram em atividade nos dias de hoje.

5. A superfície da Terra foi dramaticamente alterada por meio de uma catástrofe global, conhecida como o Dilúvio do Gênesis. Muitas espécies de plantas e animais foram extintos durante os eventos ocorridos naquela ocasião.

6. O mundo de hoje é apenas um reflexo distorcido da criação original. Por causa dessa distorção e decadência, os registros do passado talvez não sejam totalmente confiáveis, ou facilmente interpretados.

7. Tão-somente através do conhecimento que provém da revelação sobrenatural é que se pode compreender o verdadeiro registro da história passada da Terra.

8. O infinito poder de Deus continua sustentando e controlando o Universo.

Quais as diferenças, portanto, entre o Criacionismo e a Teoria do Design Inteligente (TDI)?

A TDI se diferencia do criacionismo científico [CC] pelas seguintes proposições:

CC 1: Houve uma súbita criação do universo, da energia e da vida ex-nihilo.

CC 2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para realizar o desenvolvimento de todos os tipos de vida a partir de um único organismo.

CC 3: Mudanças dos tipos de animais e plantas originalmente criados ocorrem somente dentro de limites fixados.

CC 4: Há uma linhagem ancestral separada para humanos e primatas.

CC 5: A geologia pode ser explicada pelo catastrofismo, principalmente pela ocorrência de um dilúvio mundial.

CC 6: A Terra e os tipos de vida são relativamente recentes (na ordem de milhares ou dezenas de milhares de anos).

Os modelos artísticos presentes na imagem acima representam duas concepções realizadas a partir do mesmo crânio de Neandertal, descoberto em La Chapelle-aux-Saints, em França. A 1ª representação é uma concepção mais moderna do homem de Neandertal, depois de se descobrir que ele foi mais humano do que ao início se pensava. A 2ª representação é uma concepção que remonta a finais do século XIX, quando se afirmava que o homem de Neandertal era um ancestral primitivo do ser humano. Observe como o mesmo crânio deu origem a representações tão díspares.

Os modelos artísticos presentes na imagem acima representam duas concepções realizadas a partir do mesmo crânio de Neandertal, descoberto em La Chapelle-aux-Saints, em França. A 1ª representação é uma concepção mais moderna do homem de Neandertal, depois de se descobrir que ele foi mais humano do que ao início se pensava. A 2ª representação é uma concepção que remonta a finais do século XIX, quando se afirmava que o homem de Neandertal era um ancestral primitivo do ser humano. Observe como o mesmo crânio deu origem a representações tão díspares.

A TDI oferece as seguintes proposições científicas:

DI 1: A complexidade especificada [CE] e a complexidade irredutível [CI] são indicadores ou marcas seguras de design.

DI 2: Os sistemas biológicos exibem CE e empregam subsistemas de CI.

DI 3: Os mecanismos naturalistas ou causas não-dirigidas não são suficientes para explicar a origem da CE ou CI.

DI 4: Por isso, o design inteligente é a melhor explicação para a origem da CE e da CI em sistemas biológicos.
Pieczarcka impõe condição epistemológica sine qua non e in extremis para a TDI ser levada a sério, cientifica e filosoficamente: deve dizer quem é o projetista que falseia a teoria da seleção natural. Tal crivo epistemológico seria aplicado em ciência normal?

Físicos, digam com todas as letras o nome do processo que transcende a toda realidade das leis da física antes da singularidade (número de Planck)! Biólogos, digam com todas as letras o(s) nome(s) do(s) processo(s) da origem da vida e evolução das espécies!

A TDI, sendo uma teoria científica, não pode se ocupar da identidade do designer (causa), mas apenas do design (ontologia) ser empiricamente detectado na natureza. Somos estritamente agnósticos quanto a identidade do designer.

Pieczarcka et al. desconhecem as etapas da suficiência epistêmica do DI como teoria científica:

ObservaçãoAs maneiras dos agentes inteligentes agirem podem ser observadas e descritas no mundo natural. Quando eles agem, observa-se a produção de ‘informação complexa especificada’ (ICE). A ICE é um cenário improvável de acontecer (tornando-a complexa), e se conforma a um padrão (tornando-a especificada). A linguagem e as máquinas são bons exemplos de coisas contendo muita ICE. Da nossa compreensão do mundo, altos níveis de ICE sempre são produtos de design inteligente.

Hipótese — Se um objeto no mundo natural tem características de design intencional, nós devemos ser capazes de examiná-lo e achar os mesmos altos níveis de ICE no mundo natural que achamos em objetos planejados por humanos.

Experimentos — Nós podemos examinar estruturas biológicas, testando-as para ver se existe alto índice de ICE. Quando consideramos objetos naturais em biologia, nós descobrimos muitas estruturas tipo máquinas que são especificadas, porque elas têm uma disposição particular das partes necessária para o funcionamento delas, e complexa porque elas têm uma disposição improvável de muitas partes interagindo entre si. Essas máquinas biológicas são ‘irredutivelmente complexas’, pois qualquer mudança na natureza ou disposição dessas partes destruiria a sua função.

As estruturas de CI não podem ser construídas por meio de uma teoria alternativa, como a evolução darwinista, porque a evolução darwinista exige que uma estrutura biológica seja funcional em cada pequena etapa de sua evolução. A ‘engenharia reversa’ dessas estruturas mostra que elas deixam de funcionar se forem levemente alteradas.

Conclusão — Por exibirem altos níveis de ICE, uma qualidade conhecida como unicamente produzida por design inteligente, e porque não há nenhum outro mecanismo conhecido para explicar a origem dessas estruturas biológica ‘irredutivelmente complexas’, nós concluímos que essas estruturas biológicas se originaram através de processo(s) exclusivo(s) de design inteligente.

O desafio da complexidade irredutível à evolução darwinista é real, e afirmar que as idéias de Behe foram refutadas é falso. Na literatura especializada ninguém refutou a tese de Behe.

James Shapiro, renomado biólogo molecular evolucionista, da University of Chicago, disse: ‘Não há explicações darwinistas detalhadas para a evolução de qualquer sistema bioquímico ou celular fundamentais, somente uma variação de especulações de que isso fosse realidade. É notável que o darwinismo é aceito como uma explicação satisfatória de tal vasto assunto — evolução — com tão pouco exame rigoroso de quão corretamente funcionam suas teses em iluminar instâncias específicas de adaptação ou diversidade biológicas’ [in ‘Genome System Architecture and Natural Genetic Engineering in Evolution’, Annals of the New York Academy of Sciences 870 (18 May 1999): 23-35

Pieczarcak não menciona, mas as críticas ao DI e ao livro de Behe foram postadas em sites ‘ultradarwinistas’ na internet. Essa posição ideologizada desqualifica esses críticos chifrins [desde quando o site http://www.csicop.org é referência acadêmica?] para a qualidade de debate que este ‘JC e-mail’ acolheu. Behe respondeu satisfatoriamente a todos os seus críticos. Vide 30 de suas réplicas [em inglês]: http://www.discovery.org/scripts/viewDB/index.php?command=submitSearchQuery&query=Michael%20J.%20Behe&orderBy=date&orderDir=DESC&searchBy=author&searchType=all

Os livros críticos do DI sinalizam que a TDI já chegou à mesa do debate acadêmico. Incompreensível é não mencionar os livros por téoricos da TDI ali discutidos. Os sites e livros mencionando estreita união entre criacionistas e DI são de críticos ultradarwinistas [ateus] fortemente influenciados pelo materialismo filosófico.

Robert Chambers, historiador de ciência, University of Michigan, não simpático à TDI, diz que essa identificação é uma tentativa espúria para descaracterizar a importância científica da TDI. Essa arrogância hiperbólica, como bem destacou Steve Fuller, representa um mal maior encontrado hoje na Academia: ‘A visão de Popper de que uma pessoa não cientista pode criticar a ciência por falhar em ser fiel aos seus próprios padrões publicamente reconhecidos é raramente encontrada hoje dentro da Academia´.

Para os que herdaram a crença de Kuhn da Guerra Fria de que a ciência normal é um baluarte num mundo volátil, vem sem nenhuma surpresa, que os filosófos hoje iriam criticar mais cedo os criacionistas por violarem as censuras evolutivas do que os evolucionistas por violarem mais as normas científicas gerais — uma atividade pela qual Popper foi notório’, in ‘Kuhn vs Popper: The Struggle for the Soul of Science’, (2004), p. 3-4.

Darwin adoraria este debate: ‘Uma conclusão satisfatória só poderá ser alcançada através do exame e confronto dos fatos e argumentos em prol deste [TE] ou daquele ponto de vista [TDI]…’ (1994:36).

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