O destino das indiazinhas

Domingo, dia 7/6 será realizado em diversas igrejas do Brasil o DIP – Domingo da Igreja Perseguida.
Pesquisando por notícias antigas, deparei-me com essa que foi apresentada no Fantástico, no dia 25.09.2005.
Vale à pena conferir e orar pelos missionários em tribos indígenas do nosso país.

Você viu, no Fantástico, a história de duas indiazinhas: Sumawani e Iganani. Elas foram retiradas da tribo dos zuruahã, na Amazônia, por uma missão evangélica, para tratamento médico em São Paulo. O que aconteceu com elas?
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Sumawani e Iganani estão bem. Sumawani, de seis meses, tem pseudo-hermafroditismo: seu órgão genital tem características dos dois sexos. Esta semana, um diretor da Funasa, a Fundação Nacional de Saúde, levou a São Paulo a documentação necessária para que Sumawani seja operada no Hospital das Clínicas, e a operação deve ocorrer nas próximas semanas.

Iganani, um ano e meio, nasceu com paralisia cerebral e não move as pernas. A Funasa informou que a menina está fazendo fisioterapia e os médicos avaliam que ela pode vir a andar.

De imediato, a Funai não vai tirar as crianças das mãos dos missionários evangélicos, porque isso poderia prejudicar as indiazinhas, mas em nota enviada ao Fantástico afirma: a intervenção dos evangélicos do Grupo Jocum, Jovens com uma missão, viola a constituição e o estatuto do índio.

Ao todo, o grupo evangélico levou a São Paulo oito índios zuruahã, inclusive um grande caçador e isso, segundo os especialistas, pode ter conseqüências desastrosas para a sobrevivência da tribo.

Para você entender o problema: os suruahã são índios totalmente isolados e tutelados pela lei brasileira; só a Funai pode ter acesso à aldeia, que fica na região do Médio Purus, Amazonas. São cerca de 140 indivíduos e entre eles é grande o número de suicídios, a chamada morte ritual: o índio se envenena para chegar à mítica “terra ideal”. Também as crianças que nascem com alguma deficiência física são abandonadas para morrer, porque os índios julgam que elas não têm condições de sobreviver na selva.

A política de estado brasileira é preservar o isolamento para evitar danos ao equilíbrio cultural da etnia, especialmente num povo tão fragilizado pelo alto número de suicídios. Mas as deficiências do estado favorecem a ação dos missionários religiosos, como explica o antropólogo, João Dal Poz, da Universidade Federal do Mato Grosso, que viveu por quatro meses na aldeia.

“Como a Funai, que seria a responsável pela assistência aos índios, e a Funasa, que é a responsável pela saúde dos índios, não dão a atenção necessária, devido à distância, aos recursos parcos, a missão se aproveita e eles ficam barganhando, fazendo da atenção à saúde uma moeda de troca para a conversão dos índios”, conta Dal Poz.

Uma frase escrita no site da Jocum por uma das missionárias que levaram os índios zuruahã a São Paulo, Márcia Susuki, comprova a motivação de catequizar:

“Nossos olhos foram abertos para entender a maneira maravilhosa como Deus preparou esse povo para receber o amor de Jesus”

Mas, quando entrevistada pelos repórteres do Fantástico, a missionária evita falar sobre religião.

“Nós acreditamos que…. tira aí, por favor. Não queremos entrar… na realidade nossa motivação é religiosa”, diz Márcia.

Leia o que disse, num congresso missionário, a presidente do grupo “Jocum”, Bráulia Ribeiro, sobre o contato com os zuruahã:

“Era uma tribo intacta. Eu falei: essa tribo é um tesouro, a gente tem que chegar lá antes que os exploradores, antes que os emissários do diabo cheguem para destruir”, disse Bráulia.

Os missionários dizem que receberam documentos da Funasa e da Funai que os autorizavam a sair da aldeia com os índios. Em nota ao Fantástico, a Funasa afirma que, se isso for comprovado, vai punir os responsáveis.

A Funai alega que o chefe do núcleo de apoio de Lábrea, que assinou a permissão para que os índios saíssem, “não tem prerrogativa para autorizar o transporte de índios para tratamento de saúde”. E mais: “qualquer documento que venha a ser apresentado pelos missionários não invalida o mérito das denúncias contra a Jocum”.

O procurador da República no Amazonas, André Lasmar, disse que desde 2000 vem investigando a ação dos missionários e que, em 2003, o Ministério Público Federal recomendou à Funai a retirada imediata dos integrantes da Jocum das terras dos zuruahã, mas que a recomendação não foi cumprida.

Agora, a Funai anuncia que vai expulsar os missionários e, junto com a Funasa, vai enviar à aldeia um grupo de indigenistas, antropólogos e médicos. E ainda: “Vamos pedir, por portaria, que todas as missões religiosas venham à Funai e se recadastrem, apresentem seus programas de trabalho, para que a gente possa ter clareza sobre esse trabalho”, prometeu o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes.

“Cabe à nossa sociedade respeitar essa diversidade cultural e religiosa e não impor uma outra religião a qualquer preço”, acredita o antropólogo Dal Poz.

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