“Temos que defender imagem do Islã”, diz Obama

No Cairo, Obama oferece “novo começo” aos muçulmanos

do Terra

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sugeriu em discurso nesta quinta-feira no Cairo “um novo começo” entre os Estados Unidos e os muçulmanos de todo o mundo, e afirmou que “o ciclo de suspeitas e discórdia precisa terminar”.

Ele afirmou que os Estados Unidos “não estão nem nunca estarão” em guerra contra o Islã, mas advertiu que seu país fará de tudo para enfrentar extremistas que representem uma ameaça à segurança do país.

Seu discurso na Universidade do Cairo, na capital egípcia, já era esperado como o ponto alto de seu giro pelo Oriente Médio, que tem o objetivo de tentar reduzir as tensões entre seu país e os países árabes ou islâmicos. Ele já havia se reunido pela manhã com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

“Venho aqui para buscar um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos em todo o mundo; um começo baseado em interesses e respeito mútuos; um começo baseado na verdade de que os Estados Unidos e o Islã não são únicos; e de que não precisam competir entre si.

Pelo contrário, eles se sobrepõem e dividem princípios comuns – princípios de Justiça e progresso, tolerância e dignidade de todos os seres humanos”, afirmou Obama em seu discurso.

Obama disse que as tensões que marcam as atuais relações entre os Estados Unidos e os muçulmanos em todo o mundo “estão enraizadas em forças históricos que vão além de qualquer debate político atual” e que são exploradas por uma minoria de muçulmanos extremistas.

11 de setembro
O presidente americano citou os ataques de 11 de setembro de 2001 como um exemplo da exploração dessas tensões e diz que ela somente trouxe mais medo e desconfiança.

“Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, vamos fortalecer aqueles que semeiam o ódio no lugar da paz e que promovem o conflito no lugar da cooperação que poderia ajudar todos os nossos povos alcançarem a Justiça e a prosperidade. Este ciclo de suspeitas e discórdia precisa acabar”, afirmou.

Citando um trecho do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, o presidente americano declarou reconhecer que não é possível haver uma mudança nas relações do dia para a noite, mas prometeu fazer esforços para o diálogo e o respeito mútuo.

Segundo ele, sua convicção de que os Estados Unidos e o mundo islâmico podem viver em harmonia advém de sua experiência pessoal, como descendente de uma família queniana que incluía gerações de muçulmanos, além de ter passado parte da infância na Indonésia, o maior país islâmico do mundo.

Obama afirmou ver como parte de suas responsabilidades como presidente dos Estados Unidos “a luta contra estereótipos negativos do Islã em qualquer lugar onde eles apareçam”, mas advertiu de que “os mesmos princípios devem ser aplicados para as percepções dos muçulmanos sobre os Estados Unidos”.

O presidente americano comentou que durante sua passagem pela Turquia deixou claro que “os Estados Unidos não estão – nem nunca estarão – em guerra contra o Islã”, mas que o país confrontará sem descanso “os extremistas que representam uma ameaça grave à nossa própria segurança”.

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