Quando a prosperidade gospel falha

Do Cristianismo Hoje

A crença de alguns ícones evangélicos e prósperos de que Deus recompensa os sinais de fé com saúde, riqueza e felicidade tem ido de encontro às turbulências financeiras.

Nem todos os problemas financeiros podem ser responsabilizados pela crise econômica da nação. É o que dizem críticos do movimento Nomeie e Reivindique, de algumas igrejas carismáticas.

“Eu acredito que o movimento carismático, do qual eu faço parte, é uma mistura de revisão dramática”, disse J Lee Grady, editor da revista Charisma. “Deus está nos agitando”, afirma. Grady  prevê que o movimento ficará muito diferente dentro de pouco anos, com  foco no evangelismo e na superação do que ele chama de “distração do  materialismo, alto-promoção cintilante e carnalidade tola”.

Já Scott Thumma, sociólogo do Seminário de Hartford que estuda mega-igrejas, não está tão certo disso. “Muitos eclesiásticos que pregam a prosperidade evangélica interpretariam os conflitos ou questionamentos como um ataque do Diabo e a prova de que eles estão seguindo a Deus”, diz Thumma.

Algumas conseqüências da “prosperidade” – Em Fort Worth, Texas, uma funcionária do governo do Estado deliberou, no dia 7 de dezembro, que o jato de 3,6 milhões dos ministérios de Kenneth Copeland não estaria isento de imposto. O ministério é dono de um campus com 1,500 acres incluindo uma mansão de frente para um  lago no valor de 6 milhões de dólares, sem falar dos salários de Copeland, sua esposa e outros.

Em Atlanta, Georgia, um oficial de justiça entregou uma notificação de despejo no dia 14 de novembro ao bispo Thomas Weeks da 3ª Igreja Global Destiny. Documentos judiciais indicam que o bispo, ex-marido da tele-evangelista Juanita Bynum, possui meio milhão de dólares em aluguéis. A igreja perdeu aproximadamente metade dos seus 3.400 membros desde a luta entre Weeks e Bynum num estacionamento de um hotel, na qual Weeks foi acusado de empurrar, asfixiar e espancar a mulher.

Em Tampa, Flórida, a Igreja Internacional Without Walls – que já atraiu 23 mil adoradores – encolheu drasticamente depois que os co-pastores Randy e Paula White anunciaram o divórcio em 2007. A igreja enfrentou o futuro incerto depois que a União do Crédito Cristão Evangélico começou a encerrar créditos e exigiu o pagamento de um empréstimo de 12 milhões de dólares, em nome da igreja.

Na suburbana Minneapolis, no dia 18 de novembro, o pastor Mac Hammond, do Centro Cristão Living Word, ganhou a primeira etapa de uma batalha judicial com o Serviço de Receita Interna para manter o salário privado. Ainda em 2008, ele foi forçado a vender o jato pessoal. Além disso, a hora da Living Word na televisão foi cortada pela metade  para economizar dinheiro, já que suas contribuições estavam em queda.

Copeland e os White estão entre os seis tele-evangelistas cujas empresas são alvo de investigações do Comitê de Finanças do Senado, devido a alegações de gastos questionáveis e de contabilidade financeira relaxada. Todos os seis pregadores são exemplos de prosperidade gospel.

Como ficam os seguidores – Poderiam os seguidores da prosperidade gospel, encorajados por pastores a plantar a semente de fé gastando dinheiro, freqüentemente na forma de doações a ministérios de pastores, estarem desligados dos tumultos recentes?

Muitos seguidores podem ver as dificuldades financeiras como conseqüências dos pecados e falhas pessoais – do assalto convicto de Weeks ao divórcio dos White – e determinar que é muito mais difícil agradar a Deus do que alcançar prosperidade.

Craig Blomberg, autor de um estudo realizado em 2001 sobre a teologia da prosperidade, diz que espera que “o movimento atinja quem reconhece que não pode entregar o que promete”.

“Alguns podem interpretar tudo o que vem ocorrendo como um julgamento dos líderes que abusaram da sua posição ou provaram imoralidades em outros aspectos”, disse Blomberg. E muitos podem, simplesmente, assumir que é hora de chamar outros ou eles mesmos para uma verdadeira fé, na qual o sistema irá funcionar, como é suposto em suas mentes.

Na visão de Grady, a noção de “Deus te abençoe, por isso nós podemos ser abençoadores” é bíblica. O necessário é o deslocamento para um movimento mais altruísta, no qual as pessoas reconhecem que Deus quer nos abençoar porque nós podemos cuidar do pobre, levantar o quebrado e transformar a sociedade. “Nós precisamos desse tipo de prosperidade”, ele diz . “E eu acho que é para onde as coisas estão indo”.

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