Do Blog Pr. Artur
Uma presença sutil, mas com efeitos profundos e terríveis nas mentes de antigos pensadores desavisados
Quem já leu o livro de Jó, uma “narrativa do sofrimento”, uma consideração profunda sobre a soberania de Deus e a nulidade dos pensamentos humanos (também podemos assim dizer), sabe que é uma literatura extraordinária. Apresenta uma abordagem antiga profunda, única em todo o A.T., sobre a natureza e ação de Satanás, ou “adversário”. Os diálogos extraordinários entre Deus e Satanás, nos dois primeiros capítulos do livro são uma prova inequívoca de que “Jó” é um livro sem paralelo quanto à abordagem do pensamento antigo acerca da ação do mal, personificado em Satanás, além de uma mostra vívida de costumes, práticas e formas, além da descrição da sabedoria semítica da antiguidade.
Quando observamos o livro de Jó no contexto das críticas literária e textual, ortodoxas, vemos que, de fato, há indícios que sustentam a tese de que o livro é, senão o mais antigo, um dos mais antigos livros do A.T. Isto porque em Jó não encontramos um referência explícita à Lei, embora alguns estudiosos encontrem paralelos, na prática de sacrifícios de Jó em pró dos da sua família, um hábito decorrente dos dias dos Juízes (cf. Jó 1:5. Compare com Lv. 4 e Jz. 11:31 e 21:25). Ainda assim, sem qualquer referência a sacerdócio ou à nação de Israel. É de algum consenso também, a posição que defende a atuação de Satanás apenas nos dois primeiros capítulos do livro. No decorrer do livro de Jó, a figura de Satanás é virtualmente esquecida, e vê-se que a continuidade do sofrimento de Jó se lhe é imposta pelas acusações de seus três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar. Não há um indicação clara, mas podemos entender pelo início da fala sobre Eliú, personagem que se junta à discussão apenas no capítulo 32 (Cf. Jó 32:1-4), que os amigos de Jó falaram numa ordem cíclica (sempre Elifaz, Bildade e Zofar, sendo que este último tem um discurso a menos que os outros primeiros) respeitando o peso da idade. Assim sendo, Elifaz provavelmente seria o mais velho e experiente dos quatro, seguido respectivamente por Bildade, Zofar e posteriormente, Eliú.
De fato, o primeiro discurso de Elifaz “guia” os dos demais amigos de Jó, tanto em propósito quanto na forma, isto é, o uso da retórica de se usar o exemplo de Jó para se consolidar a idéia de que um homem que sofresse algo semelhante ao que Jó estava sofrendo seria culpado, no mínimo, de algo grave. A retórica dos amigos de Jó era, também, inquiritiva: No conjunto das “ofensas” contra Jó há claramente o desejo de se descobrir algo que Jó fizera, alguma prática escondida que o incriminasse, tal como o “orgulho”. Esta retórica, portanto, faria os amigos de Jó adotarem a tática do “atire primeiro, pergunte depois”. E, creio piamente, este foi o seu maior erro, sua “loucura” pela qual os três foram severamente repreendidos por Deus (cf. Jó 42:7). Curioso é observarmos que tal exortação da parte de Deus é direcionada a Elifaz, ressaltando a idéia de que ele era o mais experiente dos amigos de Jó, e de ter exercido com sua palavra inicial alguma influência sobre o que os demais amigos de Jó viriam a proferir também.

´Jó e seus amigos´, de Gustav Doré.
Contudo, por que Elifaz tomou a postura de acusador, seguido de seus dois amigos? A resposta parece estar no capítulo 4 do livro de “Jó”. Algo acontece antes do diálogo entre Jó e seus três amigos, e está narrado no capítulo 4 pelo próprio Elifaz, o primeiro dos amigos a falar. Elifaz conta uma “visão” que tivera, assim:
“Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.
Entre pensamentos de visões noturnas, quando profundo sono cai sobre os homens,
Sobrevieram-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram.
Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo;
Parou ele, mas não lhe discerni a aparência; um vulto estava diante dos meus olhos; houve silêncio, e ouvi uma voz:
´Seria, porventura, o mortal justo diante de Deus? Seria, acaso, o homem puro diante do seu Criador?
Eis que Deus não confia nos seus servos e aos seus anjos atribui imperfeições;
Quanto mais àqueles que habitam em casas de barro, cujo fundamento está no pó, e são esmagados como a traça!
Nascem de manhã e à tarde são destruídos; perecem para sempre, sem que disso se faça caso.
Se se lhes corta o fio da vida, morrem e não atingem a sabedoria´”.
O quê se nos parecem tais dizeres? Bem, observando a fraseologia do que o referido espírito disse a Elifaz podemos ponderar sobre alguns pontos que se sobressaem de imediato:
A pergunta inicial é obviamente retórica, isto é, tem o objetivo de trazer àquele que ouvia (no caso, Elifaz, imediatamente) a idéia de que nenhum homem poderia ou poderá, jamais, ser considerado puro diante de Deus, sendo esta a premissa básica sobre a qual virão as próximas asserções. Isto, por si, é válido não fosse o conjunto do que é dito.
Em seguida, encontramos uma declaração duvidosa: “Eis que Deus não confia em seus servos…”. Isto está claramente em oposição à continuidade da revelação progressiva de Deus. Os chamamentos de Deus às grandes obras, desenvolvidas por aqueles que lhe foram eleitos, apresentam claramente elementos de “pacto”, de “aliança”, e aliança é um acerto de confiança entre as partes. Elementos de “aliança” são observados, por exemplo, nas palavras de Jesus em Lucas 22:29: “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”, estando aqui, de forma clara, a base para que se outorgue poderes e condições para a aplicabilidade de uma determinada tarefa: A confiança. Esta idéia é ressaltada em 2 Co. 5:19: “A saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”. Eis um problema, portanto, crucial, de ordem teológica, “revelado” de forma contrária pelo espírito que surgiu a Elifaz.

´O inferno de Dante´, de Gustav Doré.
Devemos notar que os tais “servos”, ditos pelo espírito, referem-se imediatamente aos anjos ou mensageiros de Deus. A nossa defesa de uma posição contrária, relativa aos homens, também servos do Altíssimo, é baseada nas palavras de desprezo ditas pelo “vulto” a Elifaz, nas suas terríveis visões da noite. Claramente o espírito fala dos homens como “seres inferiores”, indicando, ao meu ver, que aquele não tinha uma ligação direta com a humanidade, não seria o espírito de um ser humano. Para a ortodoxia isto pode parecer óbvio, mas é importante ressaltarmos porque este pensamento não deve vir a priori. Se assim admitirmos, o discurso tornar-se-á vazio tal qual o que se diz em oposto. Analisando a fraseologia de uma forma gradativa, vemos que o que é dito a Elifaz coloca os “anjos”, os “servos” (imediatos) de Deus, superiores aos homens (“…Quanto mais àqueles que habitam em casas de barro…”). Isto pode indicar, sim, que tal espírito talvez estivesse querendo se apresentar como um dos tais “anjos” de Deus, um de seus mensageiros que veio solidificar uma idéia falsa acerca do próprio Deus e de seu relacionamento com os homens… idéia esta que torna-se a base do pensamento de Elifaz, algo que permeará todos os seus discursos, bem como os de seus amigos, tornando os mesmos meros reflexos de uma idéia que, posteriormente, viria a ser condenada por Deus. O Senhor Deus é claro na reprovação do que é dito por Elifaz, Bildade e Zofar: “…A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó”. (42:7b)
Se a visão de Elifaz, e especificamente aquilo que lhe foi proferido, forem verdadeiros, e não há indícios para pensarmos que não são, estes são extramente sigificativos em vários aspectos. O que lhe foi dito é um misto de verdade e mentira; também reveste-se de aparente reverência a Deus, contudo há nitidamente um teor de ódio que se ressalta na forma como são ditas as características dos homens. A tal visão acontece de forma grotesca e, obviamente, incita àquele que seria o primeiro a falar, por ser o mais velho e/ou experiente e, consequentemente, os seus dois outros amigos, o que não era reto acerca de Deus, uma visão teológica distorcida, contradita pela própria revelação de Deus progressiva.
Assim, não temos por que duvidar que a visão de Elifaz fora demoníaca e inspirou os seus prováveis pressupostos já errôneos acerca de Deus. O capítulo 4 do livro de Jó é altamente significativo porque podemos concluir que a ação espiritual maligna contrária à vida de Jó não se limitou àquilo que acontece nos dois primeiros capítulos do livro. Estende-se para um patamar mais elevado que, penso eu, está esquecido: O de que os ataques ao físico, ao material, àquilo que pode de certa forma ser reposto pela própria matéria não se comparam aos ataques à alma, à fé, à ética, à postura espiritual que nos permite abrirmo-nos aos ensinamentos do Senhor Deus mesmo nos momentos de crise. Isto não pode ser “perdido”. Eis o maior de todos os ataques. Eis a maior de todas as derrotas.
A iminência da derrota de Jó é interrompida com os ensinamentos do Senhor Deus descritos a partir do cap. 38. Jó arrepende-se de tudo errôneo o que dissera (cf. 42:3-5) e, no fim, como sempre deve acontecer na vida daqueles que servem a Deus piamente e que conhecem bem o Deus a quem servem, Satanás vê seus planos destruídos (42:10), como estruído um dia ele mesmo será…
…. mesmo que, ao fim do livro de Jó e em consonância com os dias atuais, “ninguém se lembre mais”!!!….







elifaz vc tem razao as vezes nos mesmos que deixamos as coisas do mundo roerem nossas vestes depois destruimos o amor de deus por nada todos tem pecado se lembra que vc me disse quem me ajudava roubar eu sabia que nao era deus mais assim mesmo acreditei que nao iria sofrer mais minhas palavras foram tormento pra min hoje luto todos os dias para nao falhar com jesus pois sei que ele e o unico que pode me fazer feliz jesus cuide vc amado nao sei que ouve com vc me perdoe mano por falhar mais vc tem que ser forte sei que nao quer sofrer jeus cuida dos seus com muito amor
obg to aqui um abraço pai esperitual……………………………………………………………………………………………………………………
Nunca vi uma leitura tão rasteira da Bíblia. Nem o estatuto de “Satã” é o mesmo da história posterior ao Livro de Jó, nem Elifaz corresponde a alguma voz “maligna”, mas sim que o Livro de Jó é uma crítica severa à doutrina da retribuição temporal.
Sem contar que “Satã” é mera figura retórica, um personagem, e não a significação do mal, e o discurso de Eliú foi posteriormente inserido; isso quer dizer que nem existia ainda uma analogia entre esse “opositor” e os “daemones” da época de Jesus, e nem se pode tirar conclusões sobre o livro inteiro com base em Eliú!
Se acredito que satã=demônio cristão, o que fazemos com os papéis de Beemot e Leviatã, das forças cósmicas afastadas por Deus, representadas no Livro de Jó? Ora, se essas forças do caos são o demônio, tal como vocês defendem, só pode haver incoerência textual. Ou Deus caducou (pois manda o Mal fazer tudo com Jó, e depois mostra que ele AFASTOU o Mal para criar a ordem mundana), ou satã não é a encarnação do Mal, e nem o que está por trás de Beemot e Leviatã.
Mas para constatar isso é preciso ler o livro